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Editora Kazua

Sobre a obra: A obra “Segunda Queda” resgata ilustrações e textos que Ave Terrena compôs desde a adolescência até os dias de hoje. Dividido em duas partes (A Casa é Aqui / e vá pro olho da rua traaaaa), há no livro um uso frequente de transgressões às normas cultas da língua escrita e palavras abreviadas, como nos textos redigidos em conversas pela internet. Segundo a autora, o recurso traz à poesia um grau de informalidade necessária para que ela se mantenha viva e preserve significados íntimos.

Ave também utiliza, nos poemas, termos do pajubá – vocabulário popular inspirado em línguas africanas e indígenas a fim de possibilitar a comunicação cifrada entre travestis e que, em seguida, foi assimilado por parte da comunidade LGBTQ. A autora ressalta a importância da oratura no seu trabalho, uma tradição de “literatura” oral muito presente em diversas culturas, que busca preservar conhecimentos ligados à narratividade.

O título da obra, “Segunda Queda”, é uma referência às vivências de Ave enquanto transvestigênera – termo criado pela ativista Indianara Siqueira que pretende gerar oposição a rótulos que patologizam pessoas cujas identificações de gênero não sejam binárias.

As figuras das quedas se remetem, mais diretamente, a duas agressões sofridas por Ave em espaços públicos da cidade – uma quando tinha 17 anos e outra há dois anos, quando tinha 24. Pensar no tema da queda também a levou para leituras de relatórios da Comissão Nacional da Verdade (órgão que investigou violações de direitos humanos na época da ditadura militar), como a Operação Tarântula, instaurada na década de 80 e responsável por prender e torturar travestis que estivessem circulando em ambiente público. A deposição de Dilma Roussef, primeira e única presidenta eleita no Brasil, também foi objeto de reflexão da artista. Não coincidentemente, a epígrafe de Segunda Queda é um trecho do livro Queda Para o Alto, de Anderson Herzer (1962 – 1982), escritor e poeta trans que se suicidou aos 20 anos.

“Apesar de tudo, também vejo a queda como cura e não simplesmente como destruição. Reflito sobre como buscar sobrevivência dentro de tanto dificuldade. A queda sempre foi vista no ocidente como algo produzido por forças do mal. Tento me apropriar desse tópico pelo avesso para encontrar uma reexistência“, afirma Ave.

No livro também são abordadas a vida fragmentada pelo ambiente urbano, as inúmeras conexões diárias com o outro, a tecnologia tomando conta do conteúdo e das formas de se relacionar, o amor que se modifica inteiramente durante um processo de autoidentificação, a xenofobia na cidade de São Paulo em relação a outros estados brasileiros, a problemática da divisão injusta de classes sociais no Brasil, repressão social e individual, violência, sexo, falocentrismo e a identidade nacional fragmentada do povo brasileiro. O prefácio da obra foi escrito por Erika Hilton, ativista e pensadora contemporânea, mulher negra, trans, e estudante de gerontologia pela UFSCAR.

Sobre a autora: Ave Terrena Alves é dramaturga e poeta transvestigênera, integrante do grupo de teatro Laboratório de Técnica Dramática (LABTD) desde 2015, onde desenvolve uma pesquisa muralista sobre a memória de violência da ditadura civil-militar no Brasil.

“As 3 uiaras de SP City”, peça de sua autoria, foi uma das ganhadoras do IV Edital de Dramaturgia da Mostra de Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo (CCSP). “O Corpo que o Rio Levou”, também peça de sua autoria, foi contemplada pelo 4º Prêmio Zé Renato, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, estreando no CCSP em março de 2017 com direção de Diego Moschkovich, seguindo em temporada por assentamentos e ocupações de movimentos de luta por terra e moradia, e depois no Espaço da Cia. Da Revista. Esse mesmo texto foi publicado pela Editora Giostri.

Integra o projeto de intercâmbio entre os teatros do Amapá e de São Paulo, “Lugar da Chuva”, dirigido por Otávio Oscar. Entre 2015 e 2016, integrou o Coletivo Dramaturgia em Movimento,  trabalhando nas funções de atuação, assistência de direção e preparação corporal no projeto “Gólgota foi apenas um princípio”, peça de Luiz Antonio Farina que estreou no espaço dos Fofos Encenam em junho de 2016. Também em 2016, participou do Rito de Ethernidade para Mário de Andrade, junto ao ator Paschoal da Conceição e o NIT (Núcleo Independente Tecnorupestre), no Cemitério da Consolação.

Em 2014, fez parte do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council, coordenado por Marici Salomão, tendo sua peça, O Amor Canibal, publicada pela editora do SESI, e dirigida por Johana Albuquerque em leitura dramática em 2015

Colaborou com a Perspectiva, publicando no blog da editora uma resenha sobre o livro “Ziembinski: aquele bárbaro sotaque polonês”, de Aleksandra Pluta. Já teve experiências universitárias nos cursos de Artes Cênicas, na UNICAMP, e de Letras, na USP, onde atualmente cursa a habilitação em língua portuguesa. Entre 2013 e 2015, fez parte da equipe editorial da Revista Cisma, publicação sobre crítica literária e tradução, organizada por estudantes de Letras da graduação.

A segunda queda

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